terça-feira, 16 de outubro de 2018

Tempos de barbárie


Eu tive insônia a noite passada e isso é algo muito difícil de me acontecer. Eu revirava na cama pensando em como poder explicar, como mudar, como fazer alguma coisa... porque aceitar, eu não consigo. Em alguns dias vamos eleger nosso presidente mas este post não é sobre eleições. Este post é sobre sermos humanos. Ou, desumanos, que é o que tenho visto por aí. E esse aí, na verdade, é aqui, muito perto de mim. Familiares dos mais próximos, amigos que sabiam dos meus passos durante a  semana, fora os amigos dos familiares e os primos dos amigos e boa porcentagem da população Brasil afora. O ódio à corrupção descomunal de um partido no poder há tantos anos ajudou a trazer à tona o lado mais obscuro dessas pessoas e criamos um monstro. E o monstro não é um dos candidatos, não, não é. Esse monstro é você. Você que começou a bradar aos quatro ventos que sim, é a favor da ditadura. Da tortura. A favor da esterilização dos pobres. A favor de metralhar pessoas. Você que é mulher e diz ser contra o feminismo. Que é mimimi dos negros. Dos homossexuais. Das mulheres agredidas. Você que diz que mulher deve se dar o respeito, porque homens têm desejos. Você que diz que somos todos iguais quando na verdade, temos nossas diferenças muitas vezes não respeitadas. Você que diz que é contra os direitos humanos. Que tipo de ser humano é contra os direitos humanos? Você. E justo você, que acredita em Deus. Que celebra o Natal e se entristece todas as vezes com a crucificação de Jesus Cristo. Você que carrega Nossa Senhora no braço, no peito, ou num canto da casa. Você que nunca esteve do lado de lá, porque é no mínimo classe média, heterossexual e tem ensino superior. Eu não consigo aceitar porque você é uma pessoa privilegiada, que frequentou a escola, que tem família e algum tipo de fé... O mundo não é um espelho, sabia? As redes sociais deram voz à intolerância velada e tudo isso se tornou uma conversa de surdos e cegos. Ninguém se ouve. Ninguém enxerga o outro. A palavra compaixão tem sentido apenas no assistencialismo, afinal, quem não se sente bem ao doar uma cesta básica no final do ano? Que "pessoa de bem" que você é, doando roupas ou alimentos para os mais necessitados! E o ego infla. Voltaremos à barbárie então, colocando bandidos para se degladiarem no Estádio do Morumbi. Você com certeza iria se divertir, não? A carapuça se tornou a última tendência. Não aprendemos nada. Nada! Talvez na bala, quem sabe...

domingo, 8 de abril de 2018

Depressão pós salto


Eu preciso superar. Preciso aceitar que adrenalina não rima com dia-a-dia, especialmente nas enfadonhas noites de domingo... Saltar de paraquedas é como paixão correspondida. Só que melhor. É como droga. Vicia. É melhor que pizza, que hamburger, que comida japonesa. Até melhor que NY, ouso dizer... Você tem um pico de euforia e gratidão e muitas tantas outras coisas que nem consigo expressar... mas e depois? É tipo fim da sessão de massagem. É como fim de festa, quando você volta para casa e se dá conta de que simplesmente, acabou. E agora? O que eu faço com essa energia? O que eu faço com essa saudade que quando nem havia tocado o chão eu já sentia? Eu quero de novo. E querer de novo é um perigo, me disseram. Talvez isso seja típico dos arianos. E talvez por isso sejamos eternos insatisfeitos... Eu quis gritar para o mundo o meu feito mas nem sempre estão interessados e nem todo mundo vai ouvir... O céu estava lindo! E foi um daqueles sábados inesquecíveis, de doer os músculos da face de tanto rir e sorrir. Experiências assim é que fazem a vida valer a pena. Ai, maldito frio na barriga...! Aquele 1min de queda livre abate dias e mais dias de tédio e solidão. Aquele 1min te faz rever toda sua existência, a grandiosidade do mundo e os perigos tão deliciosos da vida quando de repente, retorno aos meus 35 metros quadrados na capital e a ficha cai. A ficha cai de que a vida não é adrenalina. A vida é aceitação. E o prazer só é prazer porque é momentâneo. Voltemos então a nossa rotina normal, com as mais radicais lembranças e aquele gostinho de quero mais. Eu quero sempre muito mais.